A Dualidade da Política Externa de Trump
A política externa implementada pelo ex-presidente Donald Trump revela uma combinação inquietante entre isolacionismo e intervencionismo, que, segundo analistas, resulta em um cenário desastroso tanto para os Estados Unidos quanto para o mundo. Ao assumir a presidência, Trump se apresentou como um defensor do isolacionismo, adotando a retórica de “América Primeiro”, que prometia focar em questões internas e evitar conflitos armados em terras estrangeiras.
Contudo, suas ações logo alienaram aliados tradicionais, sendo notável seu desprezo por tratados e instituições que sustentam as relações internacionais. Um dos primeiros sinais de sua abordagem foi a ameaça de abandonar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), uma aliança que há décadas funciona como baluarte contra a agressão russa na Europa. Desde a Guerra Fria, essa aliança foi fundamental para a manutenção da paz no continente, e a postura de Trump gerou apreensão entre os países europeus.
Com a invasão da Ucrânia por Vladimir Putin, ficou evidente que a Rússia não havia desaparecido enquanto potência agressora. O ex-presidente, em vez de se preocupar com as implicações geopolíticas, se mostrou indiferente, sentindo-se traído por Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, que não lhe concedeu apoio em sua disputa contra Joe Biden. O universo de Trump, centrado em seus interesses pessoais, parecia não considerar a situação da Ucrânia como um problema a ser resolvido.
A Retórica da Democracia e os Direitos Humanos
No cenário pós-guerra, Estados Unidos e Europa posicionaram-se como defensores da democracia e dos direitos humanos. Entretanto, essa retórica frequentemente não condizia com a prática, levando a alianças com regimes autoritários que apoiavam sua agenda. Durante o governo Trump, essa hipocrisia se acentuou, com o presidente demonstrando total desinteresse por questões como direitos humanos, acolhimento de refugiados e a situação de vítimas de desastres naturais.
A abordagem “América Primeiro” ainda impactou a economia global. Ao desmantelar a ordem econômica que priorizava o livre comércio, Trump levou a um cenário de caos, alienando aliados e prejudicando tanto os trabalhadores americanos quanto aqueles de países em desenvolvimento. Suas políticas comerciais, que incluíam tarifas e restrições à imigração, afetaram de forma negativa a vida de milhões, sem que os economistas conseguissem prever as consequências sociais de suas decisões.
Ao invés de atuar como um agente de mudança, Trump optou por um método de ataque contra as estruturas que sustentavam as economias globais. O resultado? Um cenário econômico desfavorável, onde apenas os mais ricos se beneficiaram, enquanto a classe trabalhadora viu seus empregos e sonhos desmoronarem.
Intervencionismo na Venezuela: Uma Nova Fronteira
Recentemente, a postura de Trump começou a mudar com uma virada para o intervencionismo. Embora tenha se posicionado no início de sua campanha contra o envolvimento militar dos EUA em outros países, suas ações na Venezuela contradizem essa posição. O sequestro do presidente Nicolás Maduro, mesmo que realizado com precisão, levanta questões sérias sobre suas intenções. Trump declarou que os EUA estão “no comando” da Venezuela, desconsiderando a complexidade da situação política e militar no país.
Esta abordagem intervencionista, se não for manejada com cautela, pode resultar em um novo cenário de conflito, semelhante ao que se viu no Iraque. Trump pode estar subestimando a resistência que encontrará, uma vez que os aliados de Maduro controlam ainda as forças armadas.
Suas declarações sobre a Venezuela frequentemente giram em torno de interesses econômicos, especialmente no setor de petróleo. No entanto, a realidade é que o petróleo venezuelano, além de ter um alto custo de refino e estar sujeito a incertezas políticas, pode não ser um investimento viável para as empresas americanas, que se voltam cada vez mais para fontes de energia renováveis.
Considerações Finais e o Papel do Vaticano
A guerra proposta por Trump na Venezuela é considerada, por muitos especialistas, ilegal e imoral, representando um desperdício de recursos que poderia ser melhor direcionado. Ao mesmo tempo, suas ações podem encorajar Putin em sua agressão na Ucrânia e abrir espaço para a China aumentar sua influência militar na Ásia. A mescla de seus impulsos isolacionistas e intervencionistas resulta em uma política que é, em última análise, prejudicial para a paz mundial.
Em contrapartida, o Papa Leão XIV fez apelos para que as relações internacionais sejam baseadas em verdade e justiça. Durante sua oração do Angelus, enfatizou a importância de respeitar os direitos humanos e civis, e de priorizar o bem-estar do povo venezuelano. O apelo do Vaticano reforça a necessidade de uma abordagem baseada no diálogo e na paz, em vez de ações militares que podem exacerbar conflitos.
