Análise da Expansão Administrativa em Cuiabá
No pouco mais de um ano à frente da Prefeitura de Cuiabá, o prefeito Abílio Brunini implementou uma ampliação sem precedentes na estrutura administrativa do município. O que deveria ser uma ferramenta para a gestão pública transformou-se, de acordo com especialistas em política, em uma máquina inchada, focada na articulação eleitoral.
Durante sua gestão, foram criadas novas secretarias e aumentados os cargos comissionados de maneira significativa. Um modelo incomum foi adotado, que permitiu a algumas pastas contar com dois ou até três secretários simultaneamente. Dados disponíveis indicam que a expansão da máquina administrativa está próxima de 50% em comparação à gestão anterior, um movimento que desafia os princípios de ajuste fiscal e pressiona o orçamento municipal, sem apresentar ganhos notáveis em eficiência ou melhoria nos serviços prestados à população.
Estratégia Eleitoral nos Bastidores
Nos bastidores da política em Cuiabá, a interpretação é clara: a ampliação administrativa não é resultado de critérios técnicos, mas sim de uma estratégia voltada para o fortalecimento político e articulação para as eleições de 2026. A criação de novos cargos proporciona acomodação para aliados e fidelização de quadros, solidificando uma rede de apoio ao projeto eleitoral do grupo do prefeito.
Dentre os nomes que se destacam, está a vereadora Samantha do Abílio, esposa do prefeito. Ela já participou de eleições anteriores e, novamente, aparece como uma peça-chave na engrenagem política estabelecida dentro da Prefeitura.
Discurso de Austeridade Comprometido
O contraste entre o discurso de austeridade e as práticas administrativas levanta questionamentos. Há uma percepção crescente de que a Prefeitura de Cuiabá está se comportando menos como uma gestão pública e mais como um espaço de articulação política. Essa situação gera um custo elevado para o contribuinte, que financia uma estrutura inflada sem um retorno proporcional em serviços.
A ampliação da máquina, que críticos chamam de “cabide de empregos”, levanta dúvidas sobre a credibilidade da gestão e acende um alerta sobre o uso da estrutura pública como um trampolim eleitoral.
Assim, Cuiabá observa uma administração que cresce em tamanho, mas não em eficiência, com um foco aparente no futuro político de 2026, em detrimento das necessidades dos cidadãos que deveria servir.
