Grafite como Forma de Resistência
O grafite tem se consolidado como uma importante forma de expressão em Cuiabá, e, nesse contexto, o protagonismo feminino tem ganhado cada vez mais destaque. Em um espaço que historicamente foi dominado por homens, mulheres têm encontrado nos muros da capital uma plataforma para transmitir suas histórias e identidades. Atualmente, cerca de 28 grafiteiras atuam nas ruas de Cuiabá, contribuindo com obras que refletem suas vivências e a visão feminina sobre a cidade.
Para a artista Isabelly Mendes, a prática do grafite representa uma afirmação de presença e resistência. Ela destaca: “É uma forma de resistência, de mostrar que a gente existe”. Com quase nove anos de experiência como designer gráfico, Isabelly revela que sempre teve uma conexão com a pintura, mas foi no grafite que encontrou um meio direto para expressar suas emoções. “O grafite me ajudou a expressar o que eu tô sentindo”, completa.
Arte como Válvula de Escape
A arte não serve apenas como meio de expressão, mas também como uma forma de lidar com as dificuldades do cotidiano. A grafiteira Evelyn Arruda compartilha que, nos momentos de tristeza ou raiva, encontra conforto no ato de desenhar e pintar. “Às vezes tô triste ou com raiva, vou desenhar e pintar. Distrai muito a cabeça”, conta, ressaltando como a arte ajuda a manter a saúde emocional em dias difíceis.
Essa crescente participação feminina no grafite é, em parte, atribuída ao surgimento do coletivo Manas do Mato, que recentemente completou um ano de atividades. Este coletivo se destaca por ser o primeiro exclusivamente feminino na cena do grafite em Cuiabá, promovendo a presença das mulheres na arte urbana e criando uma rede de apoio entre as artistas.
Fortalecimento por meio da União
De acordo com Arlene Lourenço, uma das grafiteiras do grupo, o coletivo surgiu a partir de encontros em eventos culturais e ações urbanas. A experiência fora do estado, onde levaram 10 meninas para um evento em Recife, foi um marco que motivou a formalização do coletivo. “Decidimos que agora somos um coletivo de mulheres do Mato Grosso que grafita”, explica Arlene.
Desde a sua criação, o Manas do Mato tem realizado intervenções em diferentes locais da capital, transformando muros em verdadeiras galerias a céu aberto. Um dos trabalhos mais notáveis foi feito no Parque Zé Bolo Flô, que recebeu uma recepção calorosa do público. Isabelly observa: “Todas as vezes que a gente faz um trabalho coletivo, o retorno é muito bom.”
Expandindo Horizontes e Incentivando Novas Vozes
Com membros atuando em diversas cidades do estado, o coletivo está em busca de ampliar o alcance de sua arte e encorajar mais mulheres a ocuparem os espaços urbanos. Para Isabelly, a presença feminina nos muros é um ato de resistência cotidiana. “É sobre mostrar que a gente é capaz, que consegue fazer muita coisa incrível”, afirma ela, destacando a importância do trabalho feminino na arte.
Arlene Lourenço enfatiza a força que a união proporciona ao grupo. “Sozinha a gente é bom, mas acompanhada é melhor ainda. A gente se fortalece uma na outra”, pontua, evidenciando como a colaboração entre as artistas enriquece suas produções artísticas e fortalece suas vozes no movimento.
Evelyn Arruda, integrante do coletivo, expressa o sentimento de pertencimento que vem com a participação no grupo. “Eu participo do grupo de mulheres chamado Manas do Mato”, ressalta, enfatizando a importância da coletividade.
Projeto MULTI: Uma Iniciativa Transformadora
Esta reportagem foi realizada durante o Projeto MULTI, uma iniciativa da Rede Matogrossense de Comunicação (RMC) que promoveu uma imersão prática em jornalismo multiplataforma. O projeto permitiu que os participantes vivenciassem todas as etapas da produção jornalística, indo desde o planejamento da pauta até a veiculação do material final.
Durante a formação, os participantes realizaram gravações em campo, produziram reportagens completas, realizaram edições e acompanharam o fechamento de textos, sempre com suporte técnico. O Projeto MULTI foi dividido em três frentes: MOJO (Mobile Journalism), focando no uso profissional do celular; “Que História Quero Contar”, que abordou a construção de narrativas; e Captação de Imagem, que trabalhou aspectos como enquadramento, movimento de câmera, áudio, entrevistas e iluminação.
