Cuiabá e o Aumento das Temperaturas
A capital mato-grossense, Cuiabá, enfrentou o ano de 2025 como uma das cidades mais quentes do Brasil. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), divulgados pela plataforma Brasil em Mapas, a cidade ultrapassou em mais de 5 °C a média nacional máxima de temperatura, entrando definitivamente na lista das áreas de risco elevado para ondas de calor.
Nos últimos anos, Cuiabá tem registrado um aumento consistente nas temperaturas máximas, além de um número crescente de dias extremamente quentes e uma tendência preocupante de prolongamento desses eventos. Projeções climáticas indicam que, se as condições atuais persistirem, a cidade pode registrar um aumento de até dois graus na temperatura média até o fim da década, no pior cenário. Atualmente, mais de 20 dias ao ano são classificados como ondas de calor, o que impacta diretamente a saúde da população e gera uma demanda crescente por energia elétrica e abastecimento de água, afetando, por sua vez, a produtividade do trabalho.
Municípios em Alerta no Estado
Além de Cuiabá, outros municípios de Mato Grosso também estão em destaque pelos elevados níveis de aquecimento. Ribeirão Cascalheira, localizado no nordeste do estado, se destaca como uma das áreas que aquecem mais rapidamente do que a média nacional, situação agravada pela sua proximidade com a fronteira do desmatamento.
A perda da vegetação nativa na região norte e nordeste do estado tem reduzido a capacidade natural de regulação térmica, resultando em temperaturas mais altas. O fenômeno do calor intenso também é notável em municípios que experimentam uma forte expansão urbana e agropecuária, onde largas áreas de solo exposto estão substituindo a vegetação nativa. Isso aumenta a absorção de calor durante o dia e dificulta o resfriamento noturno, criando um ciclo vicioso que intensifica a sensação térmica.
Padrões de Calor e Desmatamento no Brasil
O cenário observado em Mato Grosso reflete um padrão maior em todo o Brasil. Em 2024, o país registrou a temperatura média máxima mais alta já documentada e manteve níveis semelhantes em 2025. Cidades como Teresina, Manaus, São Paulo e Belo Horizonte também têm enfrentado um aumento das ondas de calor e o efeito das ilhas térmicas urbanas, que provocam elevações significativas nas temperaturas em comparação com as áreas vizinhas.
No semiárido nordestino, algumas cidades já atingiram marcas superiores a 44 graus, enquanto regiões da Amazônia Legal estão aquecendo rapidamente, especialmente onde o desmatamento é mais intenso. Especialistas apontam que a diminuição da cobertura florestal e os modelos de ocupação do solo, tanto urbanos quanto rurais, que favorecem superfícies que absorvem e irradiam calor, são os principais fatores que aceleram essa transformação climática.
Desafios e Perspectivas para o Futuro
O consenso entre os pesquisadores é claro: os extremos climáticos deixaram de ser uma exceção e agora fazem parte do novo padrão climático. Para Cuiabá e todo o estado de Mato Grosso, isso significa que os recordes de calor dos últimos anos são tendências que provavelmente se repetirão e possivelmente se intensificarão, a menos que ocorram mudanças estruturais na gestão ambiental, no planejamento urbano e no uso do território. Urge, portanto, uma discussão mais ampla sobre a preservação ambiental e as estratégias de adaptação às novas realidades climáticas que impactam tanto a saúde pública quanto a economia local.
