Iniciativa da Prefeitura e UFMT em Cuiabá
A Prefeitura de Cuiabá anunciou um investimento de R$ 412 mil para o projeto denominado “Grupos Reflexivos com Homens Autores de Violência Doméstica em Cuiabá-MT – 1ª Edição”. O convênio, formalizado com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e registrado na Gazeta Municipal em 23 de dezembro, utilizará recursos provenientes de uma emenda impositiva do vereador licenciado Felipe Correa. O montante será repassado em uma única parcela para a Fundação Uniselva, que ficará responsável pela gestão financeira e administrativa do projeto.
O escopo do projeto prevê a consultoria para a regulamentação da Lei nº 6.986/2023, além da capacitação de servidores da Secretaria Municipal da Mulher, que serão responsáveis por conduzir os grupos reflexivos. O acompanhamento dos participantes será realizado de acordo com o plano previamente aprovado, visando à efetividade das ações propostas.
A execução do projeto ficará sob a responsabilidade do Instituto de Educação da UFMT, mais especificamente no Departamento de Psicologia, sob a coordenação do professor doutor Alessandro Vinícius de Paula. O convênio estabelece que a Prefeitura de Cuiabá deverá organizar o encaminhamento dos participantes e disponibilizar o espaço necessário para as atividades, enquanto a UFMT cuidará dos aspectos técnicos e da supervisão. A Uniselva, por sua vez, ficará encarregada da administração dos recursos, devendo apresentar uma prestação de contas ao final do período acordado.
Dados Alarmantes sobre Violência em Mato Grosso
O prazo de vigência do convênio é de 15 meses, com a possibilidade de prorrogação. É importante destacar que a formalização deste projeto coincide com um cenário alarmante em Mato Grosso, que registrou 52 feminicídios em 2025, conforme levantamento do Observatório Caliandra, ligado ao Ministério Público do estado. Esses crimes resultaram em 87 crianças e adolescentes órfãos, evidenciando o impacto devastador da violência doméstica na comunidade.
Os dados levantados pelo Observatório revelam que, das 52 mulheres assassinadas neste ano, sete estavam sob medida protetiva ativa no momento do crime, e 11 já haviam registrado boletins de ocorrência anteriormente. Em 41 das ocorrências, não havia nenhum registro formal de violência antes do feminicídio, o que evidencia a necessidade urgente de intervenções como a proposta pelo projeto reflexivo.
Essa iniciativa representa um esforço significativo para combater a violência de gênero e promover a responsabilização dos agressores, ao mesmo tempo em que busca oferecer suporte às vítimas e suas famílias. A esperança é de que, com programas adequados e efetivos, seja possível não apenas reduzir as estatísticas de violência, mas também transformar a cultura de convivência, tornando-a mais justa e igualitária.
