Uma Análise Profunda da Cultura
Ao longo deste ano, este espaço se dedicou a mais do que apenas cobrir eventos; foi um exercício de escuta ativa. A ideia era captar os murmúrios do tempo, dos territórios e das vozes que, mesmo fora dos holofotes, continuam a contar histórias ricas sobre nossa identidade. Em vez de ser uma mera coluna semanal, os textos se transformaram em um ato de atenção, reflexão e permanência.
Exploramos a música, que se revela como uma das formas mais diretas de preservar a memória cultural. Cada artigo refletiu um gesto de preservação, desde o rasqueado cuiabano até as influências do jazz no samba. As sonoridades do Pantanal e as canções que atravessam gerações foram discussões não apenas sobre música, mas sobre identidade, pertencimento e continuidade. A música se mostra, assim, como um patrimônio imaterial que precisa ser valorizado e mantido.
A Cultura como Processo e Relação
Defendi ao longo do ano que a cultura não deve ser vista como um evento isolado ou um produto de consumo rápido. Ela é um processo contínuo, um território em permanente transformação, e uma relação a ser cultivada. Os textos navegaram entre temas que cruzam a arte e a natureza, a tradição e o futuro, a criação e o cuidado. A riqueza dos modos artesanais de fazer, os saberes que são passados pela oralidade e pelo corpo sempre estiveram presentes. Essa abordagem não trata o Pantanal e o Cerrado como meras paisagens exóticas, mas como fundamentais para a configuração da nossa cultura.
As entrevistas e relatos também tiveram seu espaço, trazendo à tona memórias afetivas e os bastidores da criação cultural em Mato Grosso e no Brasil. Ao retratar pessoas, busquei evitar transformá-las em personagens distantes. O foco foi reconhecer as trajetórias reais, repletas de desafios e delicadezas. Cada artigo se esforçou para valorizar a essência humana por trás das obras e das decisões.
Desacelerar o Olhar em Tempos Rápidos
Esse conjunto de textos, escritos semanalmente, buscou uma visão mais atenta e desacelerada. Em um mundo marcado pela velocidade e superficialidade, optei pela escuta profunda e pela reflexão. Nem sempre busquei conclusões definitivas; muitas vezes, o objetivo foi abrir espaço para perguntas. Que tipo de cultura estamos cultivando? Quem está sendo ouvido? O que deixamos para depois e quais são os motivos por trás disso?
Um dos grandes aprendizados deste ano foi perceber que defender a cultura é, acima de tudo, defender pessoas. Defendê-las em seus esforços, suas lutas, e suas histórias. Que possamos nos inspirar em figuras como Abel, Hélio, Domingas, Pescuma, Dani e Clóvis. Precisamos ser mais atentos ao outro, mais comprometidos com o nosso território e mais generosos em nossos processos criativos.
Uma Cultura Viva em Todos os Espaços
Encerrar o ano olhando para o passado não é um gesto de fechamento, mas de alinhamento. Os textos e artigos publicados aqui convergem para um ponto central: a cultura é uma força viva, presente no cotidiano e capaz de provocar transformações. Essa cultura se manifesta no palco, no quintal, no rádio, em salas de aula, rios e rodas de conversa, e até mesmo no silêncio que ensina.
Assim, seguimos adiante. Escrever sobre cultura é mais do que registrar o que já ocorreu; é preparar o solo para o florescimento do que ainda está por vir. É um convite à reflexão e à manutenção do que é precioso em nossa identidade cultural. A jornada continua, repleta de possibilidades e de histórias que ainda precisam ser contadas.
