Prioridades em Debate: Festa vs. Educação
Em Nova Brasilândia, a atmosfera festiva da praça central contrasta com graves alertas fiscais. A cidade se mobiliza para a “Virada Cultural de 2025”, mas a preparação se dá em um cenário de irregularidades apontadas pelo Ministério Público de Contas (MPC). Documentos oficiais revelam que, em menos de 24 horas, a prefeitura firmou contratos que totalizam R$ 667.280,00 para a realização de shows artísticos, com o objetivo declarado de promover lazer e fomento ao município. Essa escolha, no entanto, vem à tona em meio a questionamentos sérios sobre a gestão dos recursos destinados à educação infantil, que deveriam ser prioritários.
A prefeitura, ao que tudo indica, não está somente optando por celebrar, mas também desconsiderando as necessidades básicas do futuro. O MPC emitiu um parecer severo apontando cinco irregularidades graves, sendo a mais preocupante a aplicação insuficiente de verbas do Fundeb. O recurso que deveria ser destinado às creches não foi aplicado conforme a legislação vigente, o que pode comprometer a qualidade da educação infantil na cidade.
Festa com Alto Custo para os Cofres Públicos
Os contratos assinados pela Prefeitura ocorreram entre os dias 23 e 24 de dezembro de 2025, sendo o mais significativo deles a locação de estrutura para a festa, totalizando R$ 387.280,00. Este valor foi destinado à empresa Julyana Natally Torquato Ltda., que deverá fornecer suporte operacional para a realização do evento. Enquanto isso, o show de Jefferson Moraes, atração principal da festividade, custou R$ 210.000,00, além de outros R$ 70.000,00 para duas bandas que se apresentarão durante as celebrações. Esse cenário coloca em destaque a disparidade entre os investimentos em entretenimento e a falta de recursos adequados para a educação.
O parecer emitido pelo MPC relata que o município aplicou apenas 30,53% dos recursos do Fundeb na educação infantil, muito abaixo do mínimo exigido de 50%. A defesa da administração municipal alegou falhas técnicas na classificação dos recursos, mas o órgão fiscalizador não aceitou essa justificativa, mantendo sua posição sobre a gravidade do problema. O alertar do procurador de contas, Gustavo Coelho Deschamps, é claro e direto, evidenciando a importância de seguir as diretrizes legais para garantir um futuro melhor para as crianças da cidade.
Transparência em Questão
Além dos problemas na educação, o MPC também destacou a falta de transparência na gestão pública. A irregularidade relacionada à ausência de publicações contábeis em veículos oficiais foi classificada como “NB06”. Enquanto os eventos festivos ganham ampla visibilidade, a prestação de contas sobre os gastos públicos ainda carece de transparência, o que fere os princípios constitucionais. O Ministério Público questiona por que informações cruciais sobre o uso do dinheiro público não recebem a mesma atenção que os shows e festividades.
Saúde Pública em Situação Crítica
A situação da saúde pública em Nova Brasilândia também é alarmante. O MPC avaliou a condição da saúde no município como “intermediária”, com indicadores preocupantes, sendo a taxa de mortalidade por acidentes de trânsito classificada como “ruim”. A administração pública, ao priorizar eventos, deixa em segundo plano questões que afetam a qualidade de vida da população. A prevalência de arboviroses, como a dengue, também é um tema crítico, demandando ações urgentes para prevenir surtos e proteger a saúde da comunidade.
Para complicar ainda mais a situação, o MPC revelou que a gestão pública realizou uma manobra arriscada ao abrir créditos adicionais sem a devida disponibilidade de recursos, totalizando cerca de R$ 8.517.516,91. Essa prática, ao que tudo indica, compromete a saúde financeira do município.
O que se observa em Nova Brasilândia é uma clara necessidade de reequilíbrio nas prioridades da administração municipal. Entre a celebração e a responsabilidade com a educação e saúde da população, a escolha deve ser evidente: investir no futuro das crianças e na qualidade de vida de todos os cidadãos.
