Tragédia em Mato Grosso: Intoxicações e Mortes por Metanol
Mato Grosso enfrenta uma séria crise de saúde pública, com 17 casos notificados de intoxicação por metanol, incluindo quatro óbitos confirmados. Este cenário alarmante coloca o estado entre os cinco que mais registraram mortes relacionadas a essa intoxicação. Todas as vítimas faleceram em novembro, em municípios distintos. Das quatro mortes, duas foram de homens e duas de mulheres, sendo que apenas metade das vítimas recebeu o antídoto, segundo informações da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT).
A primeira fatalidade foi registrada em 7 de novembro em Várzea Grande. Uma mulher de 30 anos, cujo nome não foi revelado, foi internada na Unidade de Pronto Atendimento dois dias antes do falecimento, após consumir cerveja e uísque no dia 4 de novembro. O caso levantou sérias preocupações sobre a segurança das bebidas alcoólicas consumidas.
Treze dias depois, em 21 de novembro, a SES-MT confirmou a morte de Marcia Rocha Guimarães, de 42 anos, que passou 18 dias internada no Hospital Regional de Sorriso, a 420 km da capital, Cuiabá. Apesar de ter recebido o antídoto etanol farmacêutico, ela não sobreviveu. Marcia também havia ingerido uísque antes de ser hospitalizada.
A terceira vítima, um jovem de 24 anos, teve a morte confirmada em 2 de dezembro. Natural do município de Querência, ele foi admitido em estado grave em um hospital particular em Barra do Garças, sem ter recebido o antídoto. O exame toxicológico verificou a presença de metanol em seu sangue. Quatro dias após, em 6 de dezembro, Flávio Roberto da Mata Pereira, de 33 anos, também foi vítima do metanol. Ele foi transferido para Cuiabá após confirmação da intoxicação, mas, apesar de ter recebido o tratamento, não resistiu.
Atualmente, três casos permanecem sob investigação, com dois internados em estado grave, uma mulher de 26 anos em Juína e outra de 30 anos em Várzea Grande. Uma terceira paciente, de 26 anos, residente em Cuiabá, já recebeu alta. Entre os 17 casos notificados, oito foram descartados.
Os dados do painel de monitoramento da SES-MT revelam que apenas cinco indivíduos foram tratados com o antídoto, desses, três testaram positivo para metanol, enquanto dois apresentaram resultados negativos.
Ações de Fiscalização em Resposta ao Surto
Diante do aumento das intoxicações, diversas operações de fiscalização foram implementadas em Mato Grosso. Após um alerta do Sistema de Alerta Rápido da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, a Vigilância Sanitária recebeu treinamento do Ministério da Saúde para identificar casos de intoxicação por metanol. A Polícia Civil também participou das ações, que resultaram no fechamento de fábricas clandestinas e na apreensão de bebidas suspeitas.
Em outubro, uma operação em Várzea Grande levou à apreensão de 500 garrafas que estavam prestes a ser envasadas com bebidas falsificadas. Em Itanhangá, ao menos 30 garrafas de bebidas alcoólicas suspeitas de conter metanol foram confiscadas. O contato com a Vigilância Sanitária e a SES-MT não resultou em informações precisas sobre o número total de fábricas fechadas e garrafas apreendidas.
Notificações de Intoxicação em Nível Nacional
Dados da Agência Brasil indicam que, entre 26 de setembro e 5 de dezembro, o Brasil registrou 890 notificações de intoxicação por metanol, com 73 casos confirmados. Nesse período, 22 mortes foram atribuídas ao metanol. Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou o encerramento da sala de situação dedicada ao monitoramento desses casos, informando que a fase de emergência está superada e que agora os novos casos serão acompanhados pelas vigilâncias sanitárias locais.
A Sala de Situação foi considerada uma medida extraordinária, ativa enquanto perdurou o risco sanitário. A necessidade de um monitoramento contínuo é fundamental para evitar futuras tragédias associadas ao consumo de bebidas adulteradas.
