A Cultura do Congo e a Memória de Toty
Recentemente, foram concluídas as gravações do documentário “Terreiro Ancestral de Toty, o Rei do Congo”, que vem para reforçar a importância da cultura afro-brasileira em Mato Grosso. Este projeto, aprovado no edital Fomento Audiovisual – Documentário Temático, da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer do Estado, visa contar a história de Toty, um ícone da cultura popular no Congo e na religiosidade afro-brasileira.
Segundo Claudio Dias, diretor e proponente do documentário, “O Congo do Livramento não recebe o reconhecimento que merece. No entanto, sua relevância para nossa história e cultura local é inegável, sendo uma manifestação secular que remete às raízes afro-brasileiras.”
A trajetória de Toty com o Congo começou ainda na infância. Em 1974, aos seis anos, ele solicitou à tia que o ensinasse a dançar, incorporando elementos africanos e católicos. A expectativa daquela noite se transformou em um amor duradouro pela dança. Atualmente, Toty lidera o Congo Mirim, um projeto que visa transmitir não apenas o futuro, mas também o passado de uma cultura que se recusa a ser esquecida.
O Papel da Dança do Congo
A dança do Congo, uma expressão cultural fundamental no estado, é celebrada em Nossa Senhora do Livramento e Vila Bela da Santíssima Trindade. Combinando música e dramatização, essa prática não só exalta a fé em São Benedito, mas também narra a história da resistência da população negra no Brasil.
“Ver minha história registrada é uma grande satisfação”, diz Toty. “É o reconhecimento de décadas de dedicação. Aprender a dançar o Congo é possível para qualquer um, mas ser um verdadeiro dançante do Congo e espalhar essa cultura é uma responsabilidade maior.”
Embora Toty tenha raízes em Várzea Grande e resida atualmente em Cuiabá, sua essência está profundamente ligada à comunidade de Mata Cavalo, uma localidade quilombola em Nossa Senhora do Livramento, para onde se mudou em 1980. Esse território se tornou seu verdadeiro lar.
A Narrativa do Documentário
O documentário foi concebido para destacar a vida de Toty, o Rei do Congo. A narrativa se desdobra de maneira não linear, intercalando episódios da vida do dançarino, enquanto enfatiza sua atuação como mestre da cultura popular e como guardião de memórias e tradições.
A equipe de filmagem tem uma conexão íntima tanto com Toty quanto com a comunidade de Mata Cavalo. Essa relação foi fortalecida por meio do trabalho anterior no filme “Giramundá: O Congo e a Diáspora”, que também abordou a cultura do Congo de Livramento. O sucesso desse filme destacou a importância da tradição, levando-o a diversos festivais e conquistando uma menção honrosa na Mostra Internacional de Cinema Negro, em São Paulo.
O Processo de Produção
A produção do documentário teve início em fevereiro deste ano, com filmagens realizadas na área urbana de Nossa Senhora do Livramento, no quilombo de Mata Cavalo e em Cuiabá, onde está localizado o terreiro de umbanda de Toty. Com um tempo de duração previsto de 25 minutos, o filme está atualmente passando por sua fase final de edição, com lançamento programado para janeiro de 2026.
O “Terreiro Ancestral de Toty, o Rei do Congo” vai além da simples contação de histórias; trata-se de um esforço para preservar a memória da cultura afro-brasileira em Mato Grosso, um verdadeiro ato de resistência cultural.
Sinopse do Documentário
O documentário explora a vida de Toty, um mestre da cultura popular que carrega a ancestralidade do quilombo de Mata Cavalo e da religiosidade do terreiro de umbanda. Com a intenção de não se conformar, ele tem promovido a continuidade do Congo por meio do ensino oralizado e da criação do Congo Mirim, reconhecendo que são as crianças que garantirão a perpetuação de suas tradições. Este curta-metragem mergulha no universo desse guardião do saber ancestral e na vitalidade das cerimônias do terreiro de umbanda.
